sexta-feira, 30 de maio de 2008

FINIDADE


FINIDADE
Oswaldo Antônio Begiato

Eu queria te fazer carícias no rosto
Com minhas mãos encobertas
Pelo pó, nela pousado
Durante meu caminhar
De homem solitário e inconformado,
Esperando por um único beijo,
Negado desde o meu nascer:
- O beijo da mulher amada.

Sei que a vida inteira me quiseste
Como teu infeliz e só teu eunuco.
Mas devo dizer com todas as letras
Que foram legadas às minhas mãos
Empoeiradas:
- Sou livre e potente.

Nasci para voar dentro dos sonhos
E acreditar que um dia terei esse beijo
Da mulher que meu coração escolher,
Mesmo sabendo-o impossível
Porque nasci sem lábios,
E vou morrer sem lábios.

Um beijo,
Nem que fosse um beijo ligeiro
Feito a prece incônscia do louva-a-deus.
Um beijo,
Nem que fosse um beijo frio
Feito o gotejar acetinado do orvalho.

Mas partiste levando contigo
O desencanto que eu não inventei,
E o sonho que ousei sonhar:
- Um beijo da mulher amada.

Comigo deixaste apenas
Uma espantosa certeza:
Maior que a tristeza de saber
Que nunca me amaste
Foi a alegria de descobrir
Que nunca te amei.

Um comentário:

Ana Mel disse...

Meu Poeta, podes levantar tempestades de palavras e arrancar, com as tuas mãos,todo o amor que te dei e cortar-lhe as raízes por meus lábios plantadas...
Podes destruir o meu jardim, mas sempre as flores que brotaremm dentro de mim serão para ti somente.