terça-feira, 6 de maio de 2008

DESPEDIDA DERRADEIRA
Oswaldo Antônio Begiato

Quando eu saía de casa
E tu voltavas
Entreguei em tuas mãos
- promessa de retorno –
Um ramo florido de primavera
Que encontrei caído na calçada
E despedaçado.

Nossas vidas se encheram de sonhos.

Quando voltei
Encontrei as flores
Abandonadas no lixo
E desfalecidas.

Nunca mais te dou flores.
Nunca mais volto para casa.

Um comentário:

Ana Mel disse...

Poeta, partiste com o vento, com o mar e com os pássaros...
Levaste as palavras e tudo o que fazia sentido e te foste...
Depois de ti tudo se esvaziou na vida de tua musa e a ela, transformada no ramo florido de primavera, presente último de seu amado, nada mais restou que o cantar do silêncio nos ecos de uma rua amanhecida numa lata de lixo que foi abandonada.