quinta-feira, 12 de agosto de 2010

FUNERAL


FUNERAL
Oswaldo Antônio Begiato

Derramem sobre minha pele
um jarro de perfume suave
e esperem a noite chegar.

Durante a noite enfeitem
o meu corpo com tintas claras;
o leito de morte
com as flores mais meninas,
fecundadas em afetuosos toques
pelo vento brejeiro,
cuja gentileza se fez semeadura
por entre meus cabelos
e cuja brandura,
obrigação cotidiana nossa,
amantes que fomos.
Deitem minha carne na jangada.

Estarei então pronto. Ateiem-me fogo.
Aquecido partirei
nos curtos braços do amor.
Com meu corpo em chamas
descerei a correnteza do rio até me consumar.

4 comentários:

Isa disse...

Boa Tarde,meu querido Poeta,meu Amigo.
A entrega e o ritual da morte dos antigos guerreiros,daqueles que a Vida ñ venceu e a Morte tb. ñ!
Vogando lentamente nas águas transparentes e serenas eles subiam,
pelo fogo purificador,para a "outra dimensão"!
Adorei!
Beijoo.
isa.

air max nike disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
Maria Valéria Revoredo disse...

Que delícia passar aqui e ver que este blog está recheado de novidades, de belas poesias, profundas, profundas, profundas... Lindo Poeta! Um beijo

Sél disse...

Oi querido
Saudade de ler suas letras rsrrs

Bonito o "Funeral"
Se você escreve, faz até a morte parecer "bonita" hahaha
beijos querido, e como amanhã já e sexta-feira (oba!!!) então já deixo meu desejo de bom fim de semana prá vc ^^