domingo, 30 de outubro de 2011

VARANDA


---------->Maia,Gueifães, varanda antiga / Old balcony

VARANDA
Oswaldo Antônio Begiato

Na varanda da casa que não tenho,
coloco a cabeça no mundo da lua
mas fico com os pés no chão firme.
No chão, teço caminhos e sei que jamais os palmilharei.

Na varanda da casa que não tenho,
rezo o terço de cada dia,
faço a procissão passar com os santos em seus andores.
Caio de joelhos diante de um Deus que não é meu
nem eu sou Dele.

Na varanda da casa que não tenho,
leio o livro do poeta decrépito
cheio de versos moribundos.
Aprendo novas rimas,
nas entrelinhas do pensamento.
Com pena nas mãos escrevo com letras mortas
a poesia que não me ressuscitará.

Na varanda da casa que não tenho,
fico pensando no amor verdadeiro
e de viola em viola componho canções novas.
Os pássaros gostam de ouvir mas meu amor, não.

Meu amor; aquele que não veio nem nunca virá.

4 comentários:

Milene Sarquissiano disse...

Quem dá asilo aos sonhos edifica castelos.
Tão bom passear pelo reino mágico das tuas palavras e sentir-se parte dele.

Há na morada
a namorada
varando
pelas
varandas?

bjos todos

Linda demais!

Hellen disse...

Lindo! Adoro como você descreve coisas simples da vida... Concordo com a Milene... Grande abraço e até logo...

Marluce Aires disse...

Concordo plenamente com as amigas, em gênero, número, e gráu.Você é ótimo. A posia me encanta, principalmente no seu estilo. Parabéns!!!!

MARIA CATHERINE RABELLO disse...

Oi!
Sinto saudades viu??

Beijos!

"Jornal da Cidade Online"

Sua poesia está aqui:
http://www.jornaldacidadeonline.com.br/leitura_artigo.aspx?art=4239