quinta-feira, 5 de março de 2009

OLHOS OPALINOS


OLHOS OPALINOS
Oswaldo Antônio Begiato

Pudesse eu
nesta minha vida
de dúvidas desmedidas
voltar às certezas singelas
de minhas primeiras convicções!

Crer no Natal
com olhos de pedras preciosas
e no Ano Novo
com olhos de eternidade.

Ver o futuro
com olhos de castelo de areia
e o presente
com olhos de infinidade.

Viver a realidade
com olhos de duendes
e os desenganos
com olhos de perenidade.

Pudesse eu
ir buscar no meu abandonado caminho
todos os olhos que perdi
e com eles todos em contemplação
redesenhar delicadezas,
reinventar gestos,
redescobrir gratidões
e prescrever serenidades!

Pudesse eu
ter todas as minhas feridas
curadas pelo beijo
de minha mãe!

Porém
estou na idade de olhos opalinos:
- eles não enxergam
além de um presente amorfo.

Estou na idade
em que beijos
não curam;
beijos ferem.

4 comentários:

ana wagner disse...

"Pudesse eu
ir buscar no meu abandonado caminho
todos os olhos que perdi
e com eles todos em contemplação
redesenhar delicadezas,
reinventar gestos,
redescobrir gratidões

e prescrever serenidades" Que lindo isso W! Lindo demais!Acho que alguns de nós sempre pensamos isso. Parabéns! Você sabe que tem o DOM! Beijos e carinhos.

Anônimo disse...

Ah, meu Caro Amigo (deixe que o trate assim !!)
Obrigado pelo seu elogio. Há horas e fora d'oras !!
Adorei seu poema,parabéns por este e por todos !!
Mas olha que há beijos que curam!!Mesmo na nossa idade !!Então não há? há, há!

Antonio Miguel
Http://cosmovisao13.blogspot.com/

Regina disse...

Sempre belíssimos seus poemas e fazem de mim uma fã incondicional..bjos poeta
Regina

Maithê disse...

"Estou na idade
em que beijos
não curam;
beijos ferem."

Penso há beijos que ferem e há beijos que curam.
Já me beijaram e me feriram..
estou á espera de um que me cure.

Lindo o teu poema!Intenso!